Do redesenho do NPS a uma plataforma de pesquisas 

Resumo: o e-commerce da Magazine Luiza vendeu R$ 19,3 bilhões no 1º semestre de 2026, uma média de ~R$ 106,6 milhões por dia (fonte: Relações com Investidores). Como a empresa não divulga o número de pedidos, é estimado cerca de ~34 milhões de pedidos no semestre, cerca de 190 mil por dia, a partir do ticket médio do e-commerce brasileiro (~R$ 562). Cada um desses pedidos entra na régua de avaliação do AvaliaCom. Comecei revisando os e-mails e formulários de avaliação enviados a quem comprava no e-commerce da Magazine Luiza e terminei desenhando uma plataforma proprietária de criação de pesquisas. Usei dados de benchmark para embasar o diagnóstico do NPS antigo, propus uma régua de avaliações por etapa da jornada, adaptei a solução quando uma mudança na política de cobrança por disparos inviabilizou a régua e usei IA (Figma Make e MCP) para entregar um protótipo funcional aos desenvolvedores. O formulário redesenhado já está no ar, e a plataforma, que substitui uma ferramenta terceirizada e pode ser customizada por tema para outras empresas do grupo, está em definição.


O problema

Com mais de R$ 100 milhões vendidos por dia no e-commerce, de acordo com a Divulgação de Resultados 2T26 e algo na ordem de 190 mil pedidos diários estimados, a avaliação pós-compra é um dos principais canais de escuta do cliente, tanto no 1P quanto no 3P. Ainda assim, a Magazine Luiza avaliava pouco a jornada do cliente e tinha um alto índice de turnover. O NPS era enviado após a compra num único formulário em que os assuntos se excluíam: quem escolhia falar de produto não opinava sobre entrega ou atendimento. Além disso:

Embasamento

A pergunta que guiou o projeto foi: e se cada momento da jornada tivesse a sua própria pergunta, no momento certo, e o cliente nunca perdesse o que já respondeu?

Utilizei como base um benchmark realizado internamente pelos times de CX para guiar meu fluxo de trabalho. Usei três fontes:

1. Benchmark externo (2024): Comparou como quatro grandes concorrentes avaliam a jornada e identificou 7 tipos de avaliação: produto, devolução, envio, vendedor, entregador, NPS relacional e loja de retirada. Em 2023, a Magazine Luiza cobria apenas produto e NPS relacional, só por e-mail. A avaliação por etapa da jornada apareceu como uma das 20 oportunidades do estudo.

2. Análise das pesquisas internas. Revisei o que a própria empresa já aplicava, em e-mail, WhatsApp, app e formulário web, para entender como uma pesquisa podia complementar ou atrapalhar a outra.

3. Mapeamento dos macro eventos. Desenhei a jornada de compra (pedido recebido, pagamento aprovado, nota fiscal, rota de entrega, entregue ou retirado) e a de devolução (ticket, devolução, reembolso ou vale-compra, encerramento do TDC) e marquei onde cada pesquisa faria mais sentido.

A proposta: avaliar por etapa

A princípio, propus separar a pesquisa por momento da jornada, levando muito em consideração o funcionamento da nossa concorrência que já atuava desta forma e entreguei 10 recomendações. As principais:

Decisões de design que sustentam a proposta:

Cada nota abre motivos diferentes, e os itens se revelam um de cada vez.


Mudança de rota: uma pesquisa só

Após fecharmos todas as definições da régua de avaliações do pós venda do e-comm, uma mudança na política de cobrança por disparos tornou inviável manter a divisão em vários envios por e-mail. A decisão foi agrupar toda a régua em uma única pesquisa, preservando o mais importante da proposta: perguntar sobre cada tema da jornada (processo de compra, produtos, entrega e entregador, atendimento, trocas e cancelamentos) sem que um exclua o outro e sem perder o feedback do cliente mesmo que ele não conclua sua avaliação, pois o turnover tornou-se uma preocupação ao considerarmos o aumento de itens do nosso formulário.

Aqui usei IA para ganhar velocidade:

  1. Criei o protótipo no Figma Design, seguindo o style guide da empresa
  2. Levei para o Figma Make, anexei a biblioteca do design system e escrevi um prompt detalhado descrevendo interações, estados e regras (até 3 estrelas abrem tags de detrator, 4 e 5 abrem tags de promotor)
  3. Iterei o prompt até chegar a uma experiência funcional e clicável
  4. Transferi de volta ao Figma Design, marquei como ready to dev, habilitei o MCP e compartilhei com os devs do pós-venda
  5. Troquei os elementos gerados pelos componentes do design system, para dar unidade ao layout

O formulário resultante já está no ar.


De formulário a plataforma

O escopo cresceu: o AvaliaCom correu por diversos times da estrutura de pós venda e seu sucesso foi tão importante que ele precisou se expandir! Passou a ser uma plataforma customizável, com telas quebradas em componentes dinâmicos e estrutura de dados em JSON, preparada para montar pesquisas por arrastar e soltar.

Minha parte foi estruturar o lado de design dessa virada:

As próximas releases preveem temas para outras seis empresas do grupo, personalização de cores pelas próprias empresas e um botão configurável na página de conclusão.


Sistema Admin

O AvaliaCom V2 nasceu para substituir uma ferramenta terceirizada usada por empresas do grupo, com redução significativa de custos operacionais. Ele será integrado ao backoffice de atendimento, aproveitando o login unificado já existente, e seu público é técnico, principalmente times de dados.

O MVP definido inclui:

O plano do projeto: fechar funcionalidades, definir a arquitetura, prototipar home, builder de pesquisa, acompanhamento de versões e modelos (seguindo o style guide do backoffice) e testar usabilidade com futuros usuários.


Princípios e decisões

Entregas

Status e aprendizados

O formulário redesenhado já está no ar. O sistema admin segue em definição.

O que levo dele: